Transgredi a cela da vida contingente,
Vaguei no encanto e não me perdi
Vi, no mundo, um caminhar penitente,
As iridescentes algemas do agora e aqui

Vivi mil vidas em meu cárcere de carne,
Todas escritas sob meu olhar decumbente
A léxica magia era minha ígnea arte,
O sopro de vida sobre a morte eminente

E agora que sou um corpo sem corpo,
A rima fugaz de uma poesia já lida,
Embora seja um livre imorredouro

No etéreo passeio sem volta nem ida
Se um dia pensei que liberdade era pouco
Apelido o que sonhava com o nome de vida