Que vã mediocridade é o amargo tempo!
E que estúpida relevância damos ao ego!
Reduzimo-nos a presos deste espaço,
Meros brinquedos deste mundo cego.
Eis as três ilusões da mera realidade,
A feroz tríade que nos mantém retos,
Que nos abstrai da perdida verdade
E que nos conduz ao erro, dito correto.
Nos foi dado o dever de não pensar
E a senil obrigação de jamais reagir
Para que o eu do eu nunca acorde
E nossos olhos se recusem a abrir.
O ponderável é a nossa realidade.
Vivemos a mentira de tocar e existir.
Somos reflexos de uma era passada,
Onde sonhávamos somente ao dormir.
A ignorância é de fato uma benção,
Quando a verdade é a grande omissão.
Paraísos da mente, realidade fundada:
O egípcio acômodo de livre servidão.
Hipocrisia consentida é o que respiramos
Enquanto o amor nos escapa às mãos.
Esta terra em que hoje nós pisamos
É o mar de cinzas da real extinção.



